Barragem subterrânea é alternativa para Semi-árido
Diário do Nordeste (CE)
27/06/2004
Barragem subterrânea é alternativa para Semi-árido
Regional
Claudia Magalhães
Enviada a Irauçuba
Garantir a segurança alimentar a partir da captação da água de chuva para a produção de alimentos em épocas de estiagem. Esta é a proposta do Projeto Barragem Subterrânea, que a Cáritas Diocesana de Itapipoca desenvolve na comunidade de Boqueirão, no Município de Irauçuba, a 151 quilômetros de Fortaleza. O projeto compõe a linha de desenvolvimento solidário e sustentável, do Programa de Convivência com o Semi-árido e do Mutirão de Superação da Fome e da Miséria, lançado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a superação das mazelas sociais. Ele envolve 16 famílias e tem como proposta o agroflorestamento.
De acordo com o técnico e educador social da Cáritas Diocesana de Itapipoca, José Gilmar Magalhães, a idéia da barragem subterrânea é mostrar que o problema maior do Semi-árido nordestino é a falta de políticas agrícolas adequadas que assegurem a permanência do ser humano no campo, com qualidade de vida. ''A barragem é uma resposta ao processo de desertificação que atinge grande parte da região semi-árida brasileira, resultado do uso incorreto do solo e de práticas inadequadas, como queimadas, desmatamento e superpastoreio".
Conforme Gilmar Magalhães, Irauçuba está localizada no Vale do Missi. Seu lençol freático é raso. Entretanto, a cidade é o quarto município em processo de desertificação no País.
Para ele, se houvesse políticas públicas voltadas para a qualidade de vida, a pobreza seria menor na região. "A construção da barragem é uma resposta a todo esse descaso. Economicamente ainda não deu para termos resultados concretos. Mas social e politicamente, já vemos alguns melhoramentos, a exemplo, a elevação da auto-estima dos moradores", revela Gilmar.
O técnico da Cáritas ressalta que entre as mudanças ocorridas está o fortalecimento da agricultura familiar, a garantia de segurança alimentar e a preservação ambiental, já que dentro da área da barragem subterrânea não há agressões à natureza.
Conforme Gilmar, o processo de desertificação na região é tão alarmante que, para construir a cerca de proteção da área da barragem, a comunidade teve que comprar 600 estacas de outros municípios, "porque em 48 hectares não conseguimos tirar nem cinco estacas de sabiá, embora a planta seja nativa da região", completa.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
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